A culinária
paranaense é a
mistura das
influências de
todos os povos que
aqui chegaram ou
dos que aqui já
habitavam. Assim
os índios
paranaenses
essencialmente
coletores, tinham
no pinhão, o
alimento por
excelência. Os
coroados guardavam
as sementes em
cestos submersos
em água corrente
por 48 horas,
sendo
posteriormente
secas ao sol, para
serem consumidas
fora da época de
safra.
Até hoje o pinhão
incorpora-se aos
hábitos
alimentares dos
paranaenses,
associados às
festas juninas ou
aos costumes do
homem do campo
como a sapecada, a
paçoca ou ainda em
saborosos pratos
servidos em
sofisticados
restaurantes:
croquetes, sopas,
aperitivos, suflês
e panquecas de
pinhão.
Relativos a esses
hábitos era comum
entre os índios
notadamente os
xetás, ingerir
folhas de
erva-mate como
alimento. Dali a
herança do
paranaense que,
cultiva até hoje o
costume de tomar
chimarrão,
chá-mate e outras
formas de bebida e
infusão.
É ainda de
influência
indígena na
gastronomia, o
conhecimento das
frutas e raízes
nativas, o preparo
do milho e da
mandioca na
confecção das
farinhas, do
cuscuz, pamonhas e
bijus, na pesca e
na caça com a
carne "moqueada"
que é assada em
buracos aquecidos.
De influência
portuguesa, o
Barreado
originário dos
sítios dos
pescadores, com o
decorrer do tempo,
passou para as
cidades
litorâneas, onde é
cultivado há
aproximadamente
200 anos nos
municípios de
Antonina,
Guaraqueçaba,
Guaratuba,
Morretes e
Paranaguá.
Da expressão
"barrear" a
panela, com pirão
de cinza e farinha
de mandioca, para
evitar que o vapor
escape e o cozido
seque depressa,
vem o nome
Barreado uma
contribuição dos
açorianos, que deu
nome ao prato.
O
Barreado
representa
fartura, festa e
alegria, adotado
como prato do
período do entrudo
- o precursor do
carnaval, sendo
sua característica
a de que mesmo
requentado, não
perde o sabor
original, o que
liberava as
pessoas durante os
folguedos
populares, não
precisando
cozinhar.
Os ingredientes
que compõem o
Barreado
constituem-se de
carne, toucinho e
temperos. Antes,
seu cozimento era
feito pelos
antigos habitantes
do litoral em
valas sobre um
braseiro, levando
cerca de 24 horas
para que ficasse
no "ponto".
Um verdadeiro
ritual, para
preparar àquele
que se definiu
como o prato
típico do Paraná.
Com o Ciclo do
Tropeirismo mudou
não só o foco
econômico do
Estado, mas a
cultura e os
costumes, que
sofreram
influências dos
locais por onde
passaram os
Tropeiros, que
transportavam não
só tropas, mas
foram mensageiros
de notícias,
consolidadores de
caminhos e
fundadores de
núcleos
populacionais ao
longo do percurso.
Constituíram-se em
elos de integração
entre vilas,
povoados do Brasil
meridional e até
do exterior,
assimilando
inclusive palavras
de origem
castelhana, como
churrasco,
charque, bombacha,
arroio,
incorporado ao
linguajar do
paranaense.
A gastronomia
também sofreu
influência das
"andanças" dos
tropeiros que
assimilavam certos
tipos de comidas
disseminando-as
por onde passavam.
Desta maneira, as
cidades nascidas
de antigos
"pousos" como a
Lapa, Castro e
Tibagi cultivam
ainda hoje
saborosos pratos
como a Quirera
Lapiana, o Virado
de Feijão, o Arroz
Tropeiro, o
Castropeiro e a
Paçoca de Pinhão
com Charque.
Com os movimentos
migratórios e
imigratórios, os
paranaenses
incorporavam
hábitos
alimentares dos
novos habitantes
notadamente
alemães,
italianos,
poloneses,
ucranianos dos
quais o costume de
conservar a carne
de porco imersa na
banha, o uso da
quirera de milho
amarelo, o boi, o
porco e o
carneiro, assados
inteiros no
rolete.
Mais recentemente
vários municípios
instituíram pratos
típicos,
cultivando as
tradições dos
antepassados e os
aspectos
sócio-econômicos
regionais, que
muitas vezes
traduzem-se em
animados eventos
gastronômicos, que
fazem a delícia
dos visitantes
como:
-
Concurso do
Dourado Assado
– Foz do
Iguaçu
-
Concurso do
Porco à
Paraguaia
– Missal
-
-
Festa
da Costela no
Chão
– Maria Helena
-
Festa
da Costela no
Chão e Porco
no Tacho
– Iporã
-
Festa
da Leitoa ao
Fogo-de-Chão
- Santo
Antonio da
Platina
-
Festa
da Leitoa
Desossada à
Pururuca
- Paraíso do
Norte
-
Festa
da Leitoa
Entrincheirada
– Juranda
-
Festa
da Leitoa
Fuçada
– Janiópolis
-
Festa
da Leitoa
Mateira
-
Mamborê
-
Festa
da Leitoa no
Tacho
- Lobato e
Ribeirão Claro
-
Festa
da Piapara na
Telha
– Alto Paraíso
-
-
Festa
da Tilápia
– Porecatu
-
Festa
da Vaca
Atolada
- Boa
Esperança
-
Festa
do Boi no
Rolete
– Altônia,
Engenheiro
Beltrão,
Marechal
Cândido
Rondon,
Planalto,
Ribeirão
Claro, Santa
Fé e Santa
Terezinha de
Itaipu
-
Festa
do Borrego no
Rolete
- Irati
-
-
Festa
do Carneiro ao
Molho
Procopense
–
Cornélio
Procópio
-
Festa
do Carneiro ao
Vinho
- Peabiru
-
Festa
do Carneiro
Desossado e
Recheado
–
General
Carneiro
-
Festa
do Carneiro no
Buraco
- Campo Mourão
-
Festa
do Carneiro no
Rolete
– Carambeí,
Piraquara e
Ribeirão Claro
-
Festa
do Charque
-
Candói
-
Festa
do Charque a
Vapor
– São Mateus
do Sul
-
Festa
do Costelão
–
Luiziana,
Maripá,
Palotina e
Santa Helena.
-
Festa
do Costelão ao
Fogo-de-Chão
– Paranavaí
-
Festa
do Cupim
Assado
- Pato Bragado
-
Festa
do Cupim
Noroeste
–
Alto Paraná
-
Festa
do Dourado na
Grelha
–
Medianeira
-
Festa
do Dourado no
Carrossel
–
Itaipulândia
-
Festa
do Frango
– Bom Sucesso,
Cafelândia,
Novo Itacolomi,
Toledo e
Umuarama
-
Festa
do Frango
Caipira
Graciosa
–
Quatro Barras
-
Festa
do Frango
Desossado e
Recheado
– Maripá
-
Festa
do Frango,
Polenta e do
Vinho
– Curitiba
-
Festa
do Lambari
–
Porto Vitória
-
Festa
do Leitão a
Dois Vizinhos
– Dois
Vizinhos
-
Festa
do Leitão à
Pururuca
–
Engenheiro
Beltrão
-
Festa
do Leitão à
Sarandi
–
Toledo
-
Festa
do Leitão a
Xaxim
- Toledo
-
Festa
do Leitão
Maturado
- Goioerê
-
Festa
do Leitão na
Grelha
– Céu
Azul
-
Festa
do Matambre
Recheado
–
Pato Bragado
-
Festa
do Peixe na
Telha
- Marilena
-
Festa
do Pernil à
Pururuca
- Farol
-
Festa
do Pierogi
– Araucária
-
Festa
do Pintado na
Telha
- Guaíra
-
Festa
do Pirá de Foz
– Foz do
Iguaçu
-
Festa
do Porco à
Paraguaia
– Céu Azul
-
Festa
do Porco na
Lata
– Mandaguaçu e
Santo Inácio
-
Festa
do Porco no
Rolete
– Cidade
Gaúcha,
Mandaguaçu,
Sertaneja e
Toledo
-
Festa
do Porco
Recheado e
Assado ao
Forno
– Toledo
-
Festival da
Alcatra
- Santa Helena
-
Festival da
Carne Suína
– Medianeira
-
-
Festival do
Frango
– Matelândia
-
Galinhada
Orgânica
– Missal
Assim, na Região
Oeste do Paraná, o
Porco no Rolete é
uma das principais
atrações
gastronômicas.
Prato típico do
município de
Toledo que requer
técnica e arte na
hora do preparo.
O porco de
aproximadamente
seis meses é
assado inteiro num
rolete que gira
sempre na mesma
direção e
velocidade. Um mês
antes do abate, a
alimentação do
animal é trocada
para que haja
diminuição da
banha sem a perda
de peso.
Não há como
precisar a origem
desse prato, uma
vez que o costume
de assar animais
inteiros no
espeto, é comum a
diversos povos. O
município de
Toledo foi
colonizado
basicamente por
alemães e talvez
por isso o Porco
no Rolete leve uma
quantidade de
temperos
refinados, como a
alfazema, a
noz-moscada o
alecrim e muito
vinho branco seco.
Cada assador tem
seus próprios
segredos na hora
de preparar a
carne. Sabe-se que
mais de 30
ingredientes fazem
parte do recheio,
de acordo com o
paladar e com a
imaginação de cada
um. A receita
tradicional leva
lingüiça
calabresa, carne
moída, milho
verde, ervilha,
palmito e
cogumelos. Um dos
segredos na hora
de assar o animal
consiste em furar
o couro para que a
gordura saia, o
que facilita a
digestão.
O Porco no Rolete
leva cerca de 20
horas para ficar
pronto. Segundo os
gourmets, todo o
sacrifício do
preparo vale a
pena.
Em maio de 1974,
na sede campestre
do Clube de Caça e
Pesca de Toledo,
entre uma cuia de
chimarrão e uma
caipirinha, aos
acordes do violão
e gaita, em torno
de um braseiro
onde se assa um
churrasco
temperado com
muita história,
bravatas apostas e
desafios, clima
ideal para uma
grande idéia.
Assim foi e assim
se fez.
Celeste Vivian,
progressista
agricultor local,
afirmou que sabia
assar um porco
inteiro recheado
com temperos
exóticos, enfiado
num só espeto de
madeira, que
girava
impulsionado
manualmente.
Desafio feito e
aceito, nos dias
seguintes o
assunto passou a
empolgar outros
sócios do clube
que começaram a
formar equipes,
com seus
respectivos
assadores.
A Diretoria do
Clube de Caça e
Pesca, juntamente
com as equipes
participantes,
organizou o
regulamento e
convidou um grupo
de pessoas de
destaque na cidade
para constituir um
corpo de juízes
degustadores.
Estava criado o
mais delicioso
evento
gastronômico do
Brasil, a Festa do
Porco no Rolete,
cujo ponto alto é
o torneio entre as
equipes de
assadores.
O prato típico de
Campo Mourão, o
Carneiro no
Buraco, resgata o
costume indígena
de se cozinhar
alimentos em
buracos escavados
no chão, para
evitar o risco de
provocar incêndios
nas florestas.
Existem indícios
de que o prato
incorpora costumes
resultantes do
intercâmbio
acontecido por
volta de 1580 com
a chegada dos
jesuítas ao
continente
sul-americano.
Esta forma
inusitada de
preparo da comida
chamou a atenção
de um grupo de
pioneiros da
cidade, que
resolveu
introduzir na
receita uma série
de inovações. Da
primeira utilizada
à atual, foram
realizadas muitas
experiências e
adaptações para
aprimorar a
iguaria, que ao
longo dos anos foi
servida
esporadicamente em
encontros de
amigos.
Na década de 80 a
tradição se
arraigou e
autoridades e
outros visitantes
ilustres passaram
a ser
recepcionados no
município sempre
com Carneiro no
Buraco. Campo
Mourão instituiu a
iguaria como prato
típico e criou a
Festa Nacional do
Carneiro no Buraco
em 1990, a partir
de um movimento
desencadeado pela
confraria da Boca
Maldita. O evento
gastronômico é
realizado sempre
no segundo domingo
de julho e tem por
objetivo preservar
e divulgar essa
deliciosa tradição
do município e de
seus
colonizadores.
O prato tem hoje
um alto padrão de
qualidade e está
entre as comidas
típicas mais
conhecidas do
Paraná. Agrada até
mesmo os
vegetarianos, em
razão da grande
quantidade de
legumes e
tubérculos. O
Carneiro no Buraco
divulga Campo
Mourão em todo o
Brasil e até em
países vizinhos.